quinta-feira, 11 de março de 2010

Exercícios Físicos – Os primeiros minutos queimam?


Se você está começando ou já pratica exercício físico, precisa saber sobre algumas informações importantes que envolvem esse universo! E quando procura alguma informação sobre isso, só encontra aquelas palavras difíceis e de ordem técnica que não entende nada? Parece que estão falando grego com você? Está na hora de aprender aquilo que quer saber em uma linguagem mais fácil!

Você já deve ter ouvido falar, na linguagem popular, que “os primeiros minutos de exercício físico não queimam nada”! Na verdade não é exatamente isso que acontece no primeiro momento da prática de exercício físico. O que na verdade essa fala quer dizer?

No tempo de aproximadamente de 10-20 minutos de exercício, dependendo do corpo de cada pessoa, o organismo consome inicialmente o glicogênio muscular como fonte de energia. O que quer dizer isso? Significa que só após esse tempo inicial, continuando o exercício, a glicose e os ácidos graxos passam a ser utilizados como fonte de energia. E assim, de certa forma, a gordura passa a ser consumida de forma mais intensa, como forma de produzir energia (após esse tempo inicial). Então, não quer dizer que os primeiros minutos não se queima energia, mas que só após esse tempo é que o exercício físico passa a atuar de forma mais intensa para queimar aquelas famosas “gordurinhas” que você não aguenta mais. Obviamente, esse tempo varia de pessoa para a pessoa e também tem a ver com a própria escolha do tipo de exercício físico. É uma estimativa geral e uma média de tempo.

Mas qual a mensagem importante disso? Se você está fazendo apenas vinte minutos de atividade física e está assim já algum tempo, tem como objetivo a perda de peso, talvez seja o momento de aumentar o seu tempo de exercícios! Agora se o seu tempo disponível é só esse, tudo bem! É melhor que ficar parada (o)! É importante ter uma avaliação médica antes de começar qualquer exercício e acompanhamento no decorrer da prática. Vamos lá! Mexa-se e acelere! Exercite-se!

Fonte: Folha de São Paulo / Revista Corpore / Revista Boa Forma

Musculação x Emagrecimento

Até pouco tempo, a prescrição de exercícios físicos para o emegrecimento limitavam-se aos exercícios aeróbios, não levando em consideração a massa corporal magra e o metabolismo de repouso. Em meados da década de 80, a comunidade científica reconheceu o potencial valor do treinamento com pesos sobre a capacidade funcional e outros fatores relacionados a saúde, metabolismo basal, controle de peso, saúde óssea, entre outros. Em 1978, o ACSM reconheceu a importância de um amplo programa de aptidão física e adicionou o treinamento com pesos (musculação) em seu posicionamento Oficial em 1990. Assim, pesquisas atuais conduzidas por instituições como: ACSM, American Heart Association (AHS), recomendam programas individuais de treinamento com pesos, realizados no mínimo 2 vezes na semana. Cada sessão deve consistir de 8-10 diferentes exercícios que utilizem os maiores grupos musculares. A meta para esse tipo de programa é desenvolver e/ou manter uma significativa quantidade de força, endurance e massa muscular. Um dos motivos pelos quais os exercícios com pesos foram incluídos nos programas de emagrecimento, foi por este parecer aumentar o gasto de energia no repouso, pelo aumento da massa muscular. Sabe-se a redução do gasto de energia no repouso, após a perda de peso, é o principal fator de risco para uma posterior recuperação de peso. Outro motivo pelo qual o treinamento com pesos parece ser importante para o controle da excesso de peso, é pela elevação do VO2 residual pós exercício. Evidencias demonstram que o exercício com pesos causa perturbação homeostática, incluindo elevações no lactato sanguíneo, catecolaminas e hormônios anabólicos. Essa disfunção da situação homeostática pode levar mais do que algumas horas para se recuperar, mantendo a razão da troca respiratória (R) pós exercício elevada durante um período de 2 horas; e a taxa metabólica de repouso (TMR) elevada aproximadamente por 15 horas, utilizando a gordura como substrato energético durante esse período. Esse aumento no gasto calórico após o treinamento, pode ser explicado pelo chamado excesso de oxigênio consumido pós-exercício (EPOC), uma vez que o gasto de energia não retorna imediatamente aos níveis de pré-exercício depois de uma sessão de treinamento. A magnitude e duração do excesso de consumo de oxigênio pós-exercício parece ser influenciado mais pela intensidade do que pela duração da atividade, pois a duração do exercício em “steady-state” parece influenciar a EPOC de uma forma linear, enquanto que o aumento da intensidade do exercício além de 50 e 60% do VO2 máximo, pode influenciar no EPOC de maneira exponencial. Deste modo, exercício de baixa para moderada intensidade, capaz de ser executado pelo público em geral, produz pequeno excesso de gasto calórico durante a recuperação, e mostra ter um pequeno impacto no controle de peso. Esses dados sugerem que, além do aumento na massa muscular, o treinamento com pesos pode aumentar a capacidade máxima aeróbia, trazendo um duplo benefício para quem deseja perder peso.

Fonte

Hauser, C; Benetti, M; Rebelo, FPV. Estratégias para o emagrecimento. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, 2004.